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domingo, 4 de outubro de 2009

Ovo no pagodão



O engenheiro Reinaldo tem tudo pra se tornar o nosso herói. Ele mora ao lado de um posto de gasolina, onde tem um monte de gente SEM NOÇÃO que fica ouvindo pagodão no último volume de madrugada.

Antes, como bom cidadão que paga impostos, ele ligava para Sucom. Só que, depois de algum tempo, eles pararam de atender - esse tipo de chamada deve ser tão recorrente, que fica impossível atender todas; o que não isenta o órgão de cumprir a sua obrigação. Afinal, quem garante os recursos para pagar o salário e a infraestrutura da Sucom é pessoas como Reinaldo, que, volto a dizer, pagam seus impostos, aliás, no Brasil, todos abususivos.

Ele teve uma ideia muito criativa, resolutiva e eficaz - afinal, quem iria fazer o serviço dele quando o mesmo não conseguisse acordar no dia seguinte para trabalhar porque passou a noite ouvindo pagodão?

Enterrou uns ovos no jardim. Quando o "concerto" começa, ele arremessa alguns. Se na Band News, "em 20 minutos, tudo pode mudar", para esse talentoso engenheiro, são "cinco minutos e o problema está resolvido! huhuhu..." Ele contou, feliz da vida, que acertou um dos pagodeiros um dias desses. O SEM NOÇÃO resmungou: que maldade! E Reinaldo, acrescentou para mim com ainda mais humor: me acordar de madrugada é bondade...(rs...) Ele revelou que a situação já melhorou bastante - antes era um inferno, pragueja.

Já sei quais perguntas não querem calar em sua mente, adorável leitor, pois eu também as fiz:

1 - Esses caras nunca se vingaram?
Não há como, pois ele mora em um village e "faço escondido, que não sou besta nem nada"!


2 - O ovo estava podre?
Ele respondeu: "cheirosinho..."

Essa é uma história em que o nosso herói teve que fazer justiça com as próprias mãos - o velho oeste sem lei é aqui - e o pagodeiro deve ter passado três dias tomando banho com água sanitária e desinfetante de limpeza pesada. Enfim, um The End cinematográfico.
Reinaldo, você fez o que todos nós gostaríamos de ter feito.


Foto: www.sxc.hu

domingo, 20 de setembro de 2009

A abolição da escravatura tem 121 anos




Já são 121 anos que nos separam do marco histórico da Abolição da Escravatura, documento assinado e ordem proclamada pela então gestora dessa nação, princesa Isabel. Não vamos entrar na discussão sobre os méritos e deméritos de como a coisa foi feita, mas é ne-ces-sá-rio ponderar como há pessoas que não se tocam que elas não podem mais tratar suas empregadas domésticas como mucamas.


Sim, há quem faça isso e há muuuuuiiita gente assim, SEM NOÇÃO... Minha amiga japinha Carmem Maki contou a história de uma pessoa que ela conhece e que é protagonista contumaz de histórias SEM NOÇÃO a serem contadas posteriormente.


Come on: a criatrura de Deus é separada e desse casamento tem um filho. Ela e o ex se reverzam nos fins de semana com o filho. Não satisfeita com um ex tão parceiro (muitas mulheres sofrem com ex que só quiseram participar da concepção do rebento. O resto, acham eles, é responsabilidade da mulher - isso é SEM NOÇÃO) , ela queria fazer uma farra no fim de semana que o filho estava em casa. Tendo, portanto, que contar com sua empregada.


Como ela não sabe a diferença entre trabalho remunerado e trabalho escravo, quando pedir a empregada que ficasse à noite tomando conta do filho, a mesma se recusou, alegando ter que retornar aos seus. Na verdade, ela não precisaria alegar nada, pois a sua jornada de trabalho era até 18 horas. Mas ela poderia fazer esse favor. É verdade, poderia; mas seria um favor...


Entretando a nossa personagem central contou para minha amiga sua indignação:

- Mas ela poderia ter ficado.!

- Não, respondeu Carmem, ela não poderia pois invadiria o horário dela de curtir a família, amigos ou qualquer outra atividade de sua vida pessoal.

- Mas eu trato ela tão bem, Carmem... Outro dia, separei várias roupas minhas. Coisa boa mesmo, algumas quase novas, e dei a ela. Ela devia ter consideração.

- Fulana, pergunta minha combativa amiga Carmem, você perguntou a ela se ela queria essa "doação"?

- Não.

- Pois é, há pessoa que se não se sentem à vontade com isso. Pense nisso. Quando eu quero dar um presente para minha diarista, eu compro exclusivamente para ela. Quando tem peças para doar, pergunto se ela gostaria de levar para doar a alguém. Dignidade, fulana, dignidade!


Como vocês podem observar, Fulana, realmente acha que sua empregada é um ser inferior e, além de ignorar que a moça tem vida pessoal após o expediente, doa seus "nobres" pertences usados como se fosse uma benção de Deus para uma pobre coitada que nunca teria condições de comprá-los. Isso é SEM NOÇÃO!



Foto: www.sxc.hu